A REDE Sustentabilidade é um partido político brasileiro que surgiu da confluência de movimentos sociais, ambientalistas e lideranças comprometidas com uma nova forma de fazer política. Sua trajetória é marcada por obstáculos jurídicos, vitórias eleitorais e, recentemente, por uma grave crise interna que coloca à prova seus princípios fundadores. Este artigo percorre os cinco marcos fundamentais da história da legenda, desde a ideação até os debates contemporâneos sobre democracia partidária.
1. Ideação e Mobilização (2011–2013)
O movimento que deu origem à REDE começou a ganhar forma em 2011, quando a ex-senadora Marina Silva, junto a um grupo de ativistas, intelectuais e lideranças comunitárias, lançou a campanha "Rede Sustentabilidade". A proposta era inovadora: criar uma legenda que não apenas defendesse a pauta ambiental, mas que também praticasse a democracia participativa, com decisões colegiadas, transparência total e um compromisso firme com a ética na vida pública.
Entre 2011 e 2013, foram realizados eventos em todo o território nacional para discutir o programa partidário e coletar as assinaturas necessárias ao registro eleitoral. O movimento atraiu milhares de voluntários, que organizaram mutirões de coleta de apoio em praças, universidades e sindicatos. Este período de mobilização popular foi crucial para consolidar a base de militantes que sustentaria o partido nos anos seguintes.
2. Pedido de Registro (2013)
Em 2013, o movimento entregou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mais de 500 mil assinaturas de apoio, superando o número mínimo exigido pela legislação. Contudo, a Corte Eleitoral negou o registro alegando irregularidades na coleta de assinaturas e questões burocráticas. A decisão gerou enorme frustração entre os apoiadores, mas também fortaleceu a determinação do grupo. A Rede passou a atuar como associação civil, mantendo vivas as atividades de mobilização e preparando um novo pedido com documentação mais robusta.
O episódio evidenciou as dificuldades enfrentadas por novos partidos no sistema político brasileiro e serviu de aprendizado para a estruturação de um processo de filiação mais rigoroso e transparente.
3. Registro Definitivo (2015)
Após dois anos de intenso trabalho jurídico e político, a REDE Sustentabilidade obteve o registro definitivo no TSE em setembro de 2015. Este foi um marco histórico: o partido da sustentabilidade estava oficialmente habilitado a participar das eleições brasileiras. A conquista representou uma vitória da cidadania ativa e da persistência de milhares de filiados que acreditaram no projeto.
Com o registro aprovado, a REDE pôde organizar seus diretórios estaduais e municipais, realizar convenções e lançar candidaturas. O partido passou a ocupar um espaço político até então dominado por legendas tradicionais, levando a pauta da sustentabilidade para o centro do debate nacional.
4. Primeiras Eleições e Consolidação (2016–2018)
Nas eleições municipais de 2016, a REDE elegeu vereadores e prefeitos em diversas cidades, demonstrando capilaridade e força local. Em 2018, Marina Silva foi candidata à Presidência da República, alcançando expressiva votação e consolidando o partido no cenário nacional. A partir desse ciclo, a REDE passou a ter representação na Câmara dos Deputados e no Senado, ocupando espaços importantes para a agenda ambiental, social e de direitos humanos.
A presença parlamentar permitiu ao partido influenciar políticas públicas, apresentar projetos de lei e fiscalizar o Executivo. No entanto, a inserção no sistema político também trouxe desafios internos, como a necessidade de equilibrar os ideais fundadores com as realidades da negociação partidária.
5. Ciclos de Congresso Nacional e a Crise Interna
Como toda legenda, a REDE realiza congressos nacionais periódicos para definir diretrizes programáticas e eleger suas direções. O VI Congresso Nacional, realizado em 2025, foi marcado por graves denúncias de fraudes em filiações, assinaturas falsificadas, exclusão de militantes e manipulação do colégio eleitoral. Diante desse cenário, surgiu o movimento Diretas na REDE, que reúne filiados e apoiadores na luta por uma direção legítima e transparente.
As denúncias incluem filiações em massa sem consentimento (como mais de 1.500 na Bahia), assinaturas falsificadas em documentos de conferências, conferências fictícias validadas pela Comissão Eleitoral Nacional e exclusão sistemática de adversários políticos. Essas práticas representam uma grave violação dos princípios democráticos que o partido sempre defendeu.
Desafios Atuais e a Luta pela Democracia Interna
A REDE enfrenta hoje o desafio de reconciliar seus princípios fundadores com a prática política. As denúncias de captura burocrática e opacidade levaram à exigência de uma comissão eleitoral independente – formada por juristas e entidades da sociedade civil – e à revisão de todas as filiações para identificar fraudes. A transparência radical, defendida pelo partido desde a origem, precisa ser resgatada.
O fortalecimento da base militante é essencial para pressionar por mudanças reais. O engajamento e militância política são canais fundamentais para que filiados e simpatizantes participem ativamente das decisões. Acompanhe as notas públicas da REDE para ler os documentos oficiais sobre as irregularidades. Mais do que nunca, a participação cidadã se revela o alicerce da democracia que a REDE sempre defendeu.
Perguntas Frequentes
Quando a REDE Sustentabilidade foi fundada?
A REDE obteve registro definitivo no TSE em setembro de 2015, após um processo de mobilização iniciado em 2011. O partido é fruto de uma longa campanha de coleta de assinaturas e luta jurídica.
Quais são os princípios fundamentais da REDE?
Sustentabilidade ambiental, inovação política, democracia interna, ética na gestão pública, fim das desigualdades e justiça social são os pilares que orientam o partido desde a sua fundação.
O que é o movimento Diretas na REDE?
É um movimento de filiados e apoiadores que luta pela anulação do VI Congresso Nacional (marcado por fraudes), pela transparência radical nos processos internos e pela realização de uma consulta direta à base. Saiba mais em Diretas na REDE.
Como posso apoiar o movimento por uma REDE democrática?
Participe do movimento Diretas na REDE, assine a carta-manifesto, compartilhe as denúncias e engaje-se na militância política. Sua voz é essencial para restaurar a ética no partido.
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